3 pontos
O time está de parabéns, mas o campeonato ainda não acabou. Ainda faltam 7 jogos. 7 decisões. Vamos comemorar, mas sem exageros, sempre respeitando todos os nossos adversários. Inclusive, o Náutico, que jogou muito bem e valorizou bastante nossa vitória. Sem dúvida, um grande time, com uma torcida apaixonada e vibrante. Parabéns, Sport. Agora é continuar trabalhando sério junto ao professor Nelsinho e buscar os próximos 3 pontos.
Pronto. Uma comemoração insossa para não irritar aqueles que, quando perdem, viram instantaneamente defensores do politicamente correto. Futebol é saudável, apaixonante e principalmente, território do bom-humor e da provocação. Fica aqui o meu protesto contra o chororô dos derrotados. Contra tudo que queira transformar o futebol numa missa de sétimo dia. Já o meu post de hoje, é dedicado a todos os jogadores que contribuem para a emoção do espetáculo. Que não se contentam com o discurso sem graça nas entrevistas. Jogadores que vão comemorar com a galera no alambrado. E já que aqui não tem alambrado, o texto de hoje é lá embaixo, nos comentários.
Feedback
Vou te contar, os alvi-rosas estão levando muito a sério o que eu falo. Pra você ver: só porque disse que o “time” deles era eterno vice, resolveram descer pra terceiro. Depois, fiz uma homenagem à Barbie no Dia da Mulher. Resultado: fingiram que não tinham a mínima intimidade com a máquina de costura e tomaram um sacode. Estão se esforçando tanto pra parecer um time decente, que contrataram um monte de refugo daqui. Geraldo Marra, Ticão de Vidro e Serginho Quem? Não duvido nada que o próximo seja o Irani.
Mas até entendo a situação deles. Foi uma noite infeliz, com várias oportunidades desperdiçadas. Por exemplo: como é que a pessoa vai pra Santa Cruz, Pólo de Confecções, e não compra uma camisa nova? Uma vermelha e preta, mais apresentável. Ah, esqueci. Não combina com aquela saia. Se bem que isso não é lá uma boa desculpa. Domingo mesmo, a gente vai presentear todos alvi-rubros com saias e lençóis, pra combinarem também com o salto alto, estilo “o-time-que-mais-evoluiu-no-campeonato”.
Enquanto isso, a gente se divertia bastante em Caruaru. Jogou contra um time preto e branco, num estádio que esqueci o nome, fazendo dois gols num goleiro aí. O Sport foi assim: nem tomou conhecimento do adversário. E deixou pra começar a jogar no mesmo ritmo desse texto: na etapa final.
08/03
Didi adora futebol e odeia novela. Não perde um minuto de jogo na televisão. Só quando esquece que a novela acabou faz tempo e já é hora de ligar a TV pra ver o jogo. Didi odeia novela. Odeia de coração. Se você acha que isso já foi dito demais nesse texto, precisa ouvir Didi falando 50 vezes ao dia. Mas o que Didi odeia mesmo é quando dizem que futebol é um esporte sem sentido. Que são apenas 22 pessoas correndo atrás da bola. “Pior é novela, que são 22 mulheres correndo atrás de um homem”. Apesar de tudo, Didi sabe que todo mundo tem um gosto diferente. Mas odeia quando as pessoas acham que ela gosta de novela mexicana só porque se chama Diana Maria.
Como você pôde ler, homens e mulheres podem ser bem parecidos. Sendo assim, também merecem direitos iguais. Não só no mercado de trabalho. Não só nos direitos. Não só na hora de dividir o controle remoto. Mas também no futebol. Por isso que hoje, tardiamente, é verdade, queria homenagear uma mulher muito importante para esse esporte. A Marta, melhor jogadora do mundo, que me desculpe. Mas a Barbie é fundamental. O futebol não teria a mínima graça sem ela. E falo graça no sentido Pequena Miss Sunshine. Com caras, bocas e chororô.
Parabéns pelos 3 x 0, Barbie. Mostrou aos mais machistas que também podem fazer igual no futebol. Que o salto alto não atrapalha na hora de pisar na grama. Que o grito dividindo letrinhas, importado das cheerleaders americanas, também funciona. Que o rosa também pode povoar as arquibancadas. Que queimar sutiã funciona, mas queimar a camisa do Náutico quando protagonizou a maior vergonha do futebol mundial, também. Que esse texto já tem tanto “que”, que se eu fizesse isso no vestibular, há 6 anos, ia levar bomba.
Enquanto o clássico se aproxima, o machismo se distancia. Tanto é que nossa pretensão é acabar de vez com essa história de “primeiro as damas”. Mas aquelas que se preocupam com o fim do cavalheirismo no futebol, podem ficar tranquilas. A gente vai continuar abrindo a porta pra vocês. Só que a porta de saída do campeonato., assim que forem e-l-i-m-i-n-a-d-a-s. Com direito a letrinha dividida e tudo.
E essa foi a homenagem rubro-negra ao Dia Internacional da Mulher. Confesso que pensei em mandar um mar-de-rosas. Mas como os alvirrubros vivem morrendo na praia, achei que seria uma piadinha de mau-gosto.
Majestade
- Achados e perdidos, boa noite. Como posso ajudar?
- Eu queria reportar um objeto perdido.
- Você podia me confirmar alguns dados?
- Pois não.
- Nome completo, por favor.
- Maria Francisca Antônia de Lourdes Antunes de Almeida Silva de Abelar de Orleans e Bragança.
- Nome da mãe?
- Albertina Maria da Conceição Antunes.
- Nome do pai?
- César Almeida. Ou Francisco Abelar. Ou Carlos de Orleans e Bragança IV. Ou Ricardão da Silva.
- Como assim, minha senhora?
- É porque minha mãe não tem certeza. Por isso que tenho 4 sobrenomes.
- Err... tudo bem. Profissão?
- Imperatriz do Maranhão.
- Tipo a Escola de Samba?
- Como se atreve a desdenhar do meu império, plebeu tolo?
- Desculpe, senhora...
- Senhora não. Pra você é Sua Majestade.
- Ih, nem vem, senhora. Não quero nada seu não. Minha mulher é ciumenta.
- Batráquio insolente! Se isso fosse no meu império, você já estaria sem cabeça.
- A única pessoa aqui que está perdendo a cabeça é a senhora.
- Com quem você acha que está falando?
- Peraí. Com a Dona Maria Francisca... quer mesmo que eu repita? O pagamento é por minuto.
- Quero falar com o gerente.
- Aguarde só um minuto que vamos estar transferindo sua lig...
- Não, não, desisto.
- Desiste? Tenha uma boa noite então, senhora.
- Não! Desisto de falar com o gerente. Ia demorar séculos.
- Mas a monarquia já passou há séculos e a senhora ainda acha que é imperatriz.
- Não vou mais discutir com você.
- ...
- Alô?
- Já quebrou a promessa? Vocês políticos são todos iguais.
- Energúmeno pusilânime de biltreza indiscutível!
- A senhora repete pra eu anotar? Foi o melhor elogio que recebi hoje.
- Ai meu Deus. Você podia só procurar o que eu perdi, por favor?
- Onde foi que você perdeu?
- Numa tal de Ilha do Retiro. Pelo retiro no nome, achei que fosse um lugar tranquilo.
- Como é o objeto?
- Redondo, meio...
- Perdeu a coroa, majestade?
- Não, não. Antes fosse.
- O que é então?
- É uma bola mesmo. Não vi a cor dela ontem.
- Já procurou dentro do gol?
Mais um
E pe Spo na? Tu! E pe Spo na? Tu! E co é, co sem foi e co sem se? Ca! Ca! Ca! Ca! Ca! A tur é me bô. É me da fuzar! Spo! Spo! Spo! Pois é, galera. Vamos comemorar, que pelo menos metade do campeonato já é nosso. E o melhor: só com um pontinho a mais do que as barbies, pra elas não perderem o costume de chegar bem pertinho e morrerem na praia.
Sport: mais títulos, mais time, mais torcida, mais tradição, mais paixão, mais raça, mais hombridade, mais estrutura. Ponto. Náutico: protagonista do pior vexame do futebol brasileiro, torcida insignificante, eterno vice. Viu a distância que um simples ponto pode representar? E ainda tem alvi-rubro chorando. O tipo de gente que torce pra um segundo time só porque nunca ganha lhufas. E pela perícia em derramar lágrimas, aposto que é o Botafogo.
Confesso que antes do campeonato começar, achei que seria uma chatice essa história toda de campeonato-estágio-de-bônus. Mas quando chegou na reta, final, adivinhem só: continuou uma chatice. Com alguns lampejos humorísticos, é verdade. Tipo a torcida rosa comemorando quando o Salgueiro fez o gol de empate. Ou Geraldo achando que é Pelé depois de fazer 300 gols de pênalti. O resto foi tudo igual, como a gente já viu em outras 36 vezes.
Mas uma coisa me deixou realmente indignado: a imprensa falando do Santa Cruz. Como assim, não vai disputar nenhum clássico no ano? E o jogo contra o Porto, agora na segunda fase? Zé do Carmo que o diga. E o clássico das multidões contra o Moto Clube? E o amistoso internacional contra o América de Greenville? O pior é que a gente nem pode dizer que o Santa vai enfrentar jogos de vida ou morte. O hexagonal já é da morte, o que significa que está todo mundo morto. Não é à toa que quase todo caixão tem uma cruz.
A verdade verdadeira de verdade é que, na verdade, o jogo da quarta-feira é verdadeiramente o mais importante do ano até agora. A Copa do Brasil sim, é uma competição de verdade. Só espero que o Sport jure, prometa, aposte que vai jogar bola de verdade. Porque senão todo mundo vai achar que essa boa fase é mentira. E quando tudo der certo, a gente comemora a classificação em cima de outro carro alegórico. Dessa vez, da Imperatriz.
Peço desculpas pela falta de atualização há teeeeeeeempo. Com direito a muitos “e” entre o “t” e o “o”, justamente pra mostrar a distância entre o trabalho e o ócio. Prometo que vou tentar atualizar mais constantemente. Quanto a isso, queria aproveitar a nossa vantagem de ter a maior torcida do Estado pra pedir uma ajudinha. Quem tiver alguma sugestão, ou alguma coisa engraçada pra mostrar, pode mandar pra blogdosport@globo.com.
De quem é esse jegue?
O Sport foi dar moleza...
... aí também foi atropelado pelo jumento
Mas pra você não ficar com raiva do bichinho, esse aqui é bem mais legal.
Eu sei, eu sei. Tô que nem professor de faculdade. Quando não tem tempo, passa um filminho. Mas pensando pelo lado bom, prometo não pedir nenhuma dissertação de 30 páginas sobre o assunto, ok?
Cazá cazá cazá ninguém segura o Leão
Com a colaboração do brother Rodrigo Perrelli.
Com que roupa eu vou?
Demorou, mas finalmente chegamos ao Reveillon. Brasileiro que é brasileiro sabe que o ano novo só começa depois do carnaval. Nesse caso, prepare o champagne, a lentilha e as roupas brancas. Mas se a sua fantasia pra Olinda não for de pai-de-santo, é melhor considerar a possibilidade de usar outros trajes. Nada muito Escola de Samba, por favor. Deixe as plumas de Faisão Dourado Tipo Mocréia pra galera da Mangueira. Ou algum amigo alvirrubro.
Pra você não quebrar muito a cabeça, aí vão algumas dicas:
Schumacher – pra se fantasiar do líder das pistas, não precisa de muita coisa. Bota uma camisa vermelha e faz cara de alemão-alma-de-lacrau. Não esqueça de levar o champagne da vitória. É bastante útil pra pipocar a rolha nos papangus e molhar as meninas gatinhas de camisa branca.
Lula – tudo bem, não é uma fantasia lá muito agradável. Mas apesar dos pesares, o homem é o líder do país. Além disso, compensa em vários aspectos. 1- Você só vai beber cana, que sai bem mais barato que cerveja a dois e cinquenta. 2- se você ficar bêbado, não precisa se preocupar em errar as palavras. Desse jeito, a imitação do presidente fica até mais verossímil. 3- Se você for flagrado com outra menina, é só dizer que não sabia de nada.
John Lennon – líder espiritual, musical, ideológico e todo o resto que precisa pra impressionar nas ladeiras. Ideal para preguiçosos como eu, que nunca fazem a barba ou cortam o cabelo. Mas por favor, não entre demais no personagem. Você não iria querer ser lembrado como o cara que pegou a Yoko Ono.
Capitão Nascimento – tudo bem, tudo bem. O líder do BOPE é uma sugestão clichê. Mas você pode gostar da filosofia Tropa de Elite de “pega um, pega geral, também vai pegar você”. Se você faz parte do Esquadrão Urubu, o preto da fantasia também combina. “Homem de preto, o que é que você faz? Eu pego baranga que assusta o Satanás! Homem de preto, qual é sua missão? Entrar pela ladeira pra caçar dragão!”
Lara Croft – pra não dizer que não falei das flores, uma opção para as meninas. Lara é a líder disparada das musas do videogame. Capriche nas pistolas d´água. Minha sugestão é colocar água fervente. Se vier algum marmanjo escorregadio com gracinha pro seu lado, mete bala no olho do infeliz. A fantasia ainda é uma desculpa pra você colocar aqueles 300ml de silicone que você tanto queria.
Se você não gostou de nenhuma sugestão, tudo bem. É só usar a camisa do Sport. De um jeito ou de outro, todo mundo vai saber que você é o líder.
Siga o coelho branco
Rápido. Junte tudo de mais importante que você tem e se esconda agora. Pode ser em qualquer lugar. Se você estiver corneando alguém nesse exato momento, continue embaixo da cama. Se você tiver algum amigo alvi-rosa, não esqueça de avisar a ele pra não sair do armário. A qualquer momento, homens de terno preto e óculos escuros podem invadir sua casa. E não estou falando de nenhum vendedor de enciclopédia. São agentes. Daqueles, armados até os dentes e com uma necessidade extrema de ficar repetindo: Mister Andeeerson!!
Por favor, Sr. Keanu Reeves, vulgo “O Escolhido”, se o senhor estiver lendo esse texto agora, ignore o primeiro parágrafo. Mas se você, leitor, não tiver a capacidade de arrancar um poste da rua e tacar na cabeça do Sr. Smith, é melhor se esconder. Nem termine sua leitura. E o mais importante: caso você não faça a menor idéia do que estou falando, corra para a locadora e tome uma pílula vermelha.
Tudo bem, já que você escolheu ler o texto até aqui e arriscar sua vida, o mínimo que eu posso fazer é explicar. Segundo os irmãos Wachowski, toda vez que alguém faz uma alteração drástica na Matrix, como transformar uma velhinha num agente assassino enviado para nos matar, acontece um dejá vu. Uma falha no sistema. Ontem, o Sport ganhou mais uma vez 3 x 2. Mais uma vez com um gol chorado no final. Se isso não foi um dejá vú, não sei mais o que pode ser. Acho até que poderiam mudar a expressão. Do francês, para o dialeto caruaruense. Faria mais sentido. Algo como “Oxééén, eu já vi essa bexiga”.
Como o Sport não mudou muito seu futebol, decidi que também não vou mudar meu texto. Em time que ganha, não se mexe, ora bolas. Mesmo que essa frase ainda cause arrepios e pesadelos bivarianos em muita gente. Por isso, recomendo que você leia o post anterior novamente. Já que estamos na Globo, considere como um “Vale a Pena Ler de Novo”, ok?
Olha pro céu, meu amor
Eu tenho 23 anos. Pelo menos há 10, tento aprender a dançar forró. Já tentei de tudo: estilo pé-de-serra, quadrilha, baião, rala-bucho e até aqueles forrós avacalhados, que misturam lambada com Pink Floyd. Qualquer tipo de esforço maior de minha parte, acaba em alguma dança recém-inventada por mim mesmo. Tem o estilo “souvenir de tartaruga conformista”. Aquelas que ficam balançando a cabeça quando você empurra. Também tem o estilo “risada de Seu Madruga”, que consiste em ficar balançando os ombros. Mas o meu preferido é o “Poste de Dançarina Stripper”. Você fica lá paradão, enquanto a menina dança sozinha. Uma beleza.
A única coisa que me deixa revoltado é a galera do Casseta e Planeta. Nunca me pagaram nada pela criação do personagem Coisinha de Jesus. Podia estar rico agora. Mas isso não vem ao caso. O que acontece é que São João vai, São João vem, e continuo sendo o pernambucano mais finlandês do mundo, requebradicamente falando. Ainda bem que eu tenho o Sport como consolo. Foi só o Central vir com essa historinha de dois pra lá, dois pra cá no placar, pra gente pisar no pé deles.
O pessoal da Patativa chegou mostrando seu esquema tático Tropa de Elite. Osso duro de roer. Ou já que estamos falando de Caruaru, rapadura de roer. Mas perceberam logo que, pra ganhar aqui dentro, iam ter que rebolar muito mais do que bailarina de forró. Da próxima vez, que experimentem trazer aquele cara do Capim Cubano.
Quem parece que vive em clima constante de São João é o garoto Diogo. Uma das maiores promessas do nosso time está pensando em trocar o Sport pelo Saia Rodada. Rebola, rebola, e bola que é bom, nada. Abre o olho, rapaz. Ainda que seja difícil depois de tanta cachaça. Se continuar assim, em vez de encher a cara de cana, a vida é que vai encher a tua cara de porrada. E aí sim, vão haver motivos para beber.
3 x 2 ilustra bem o que foi uma vitória suada. Como todo forró abarrotado de gente. Não foi dessa vez que Carlitos Bala saiu do zero. Com aquele cabelo, fica difícil também. O destaque foi o Luisinho Netto. Toda falta é perigosíssima. Minha sugestão é arrumar pra ele uma posição no gol. Se está chutando feito o Rogério Ceni, deve estar agarrando também. Só não vou falar do Romerito. Apesar dele ser o jogador mais lúcido, regular e importante do time. Tá maluco? Se eu falar isso, a torcida vai querer me injustiçar também.
Pedro Lazera, pernambucano, 22 anos, solteiro (que Marília não veja isso), jura que é publicitário, passou pelas agências Gruponove e Studiodois. Atualmente é Redator da Aliança Comunicação. Sua primeira palavra em vida foi cazá-cazá. A segunda, campeão.